segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O caçador de pipas

  Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas não iam se ajeitar por causa disso. Alias, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo.
  Mas me agarrei àquilo. Com os braços bem abertos. Porque, quando chega a primavera, a neve vai derretendo, floco a floco, e talvez eu tivesse simplesmente testemunhado o primeiro floco que se derretia.
  Saí correndo. Um adulto correndo em meio a um enxame de crianças que gritavam. Mas nem me importei. Saí correndo com o vento batendo no rosto e um sorriso tão grande quanto o vale do Panjsher nos lábios.
  Saí correndo.

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