Meu nome é Maria Francisca, mas por ter um nome um tanto diferente, todos me chamam de Fran. Confesso que não gosto muito dele, mas... Tenho 16 anos e moro em uma casa grande com meus pais, aqui mesmo em São Paulo. Olhos e cabelos castanhos, magra. Uma típica garota normal... Bom, pelo menos era, até que...
Era uma noite de abril, estava em meu quarto ouvindo música. Chovia muito e caiam raios que clareavam a casa. Os barulhos eram muito altos e tenho que confessar que estava com medo, mas tentava me distrair com aqueles testes bobos de adolescente que vem nas revistas para meninas.
De repente, houve um clarão bem forte, mais do que os outros e em seguida, um barulho quase que ensurdecedor. A energia acabou e eu, morta de medo, pulei para baixo das cobertas e fiquei por lá. Alguns segundos depois, parecia que nada havia acontecido. Continuava a chover muito forte e nada mais. Fiquei horas tentando dormir.
Já estava amanhecendo quando finalmente consegui pegar no sono, já muito cansada. Acordei algumas horas depois, sem saber se tudo não passava de um sonho ou se tinha sido mesmo realidade. Tudo estava bem normal, como se nada tivesse acontecido. Lá fora, o sol brilhava radiante como se não houvesse chovido.
Me convenci que tinha sido apenas um sonho. Meus pais ainda dormiam. Desci para comer algo. Achei na geladeira um último pedaço de pizza de frango com queijo que tinha sobrado da noite anterior. Coloquei pra esquentar e olhei pela janela, foi quando vi algo diferente no quintal.
Vesti meu moletom da GAP e fui lá fora ver. Era algo estranho, diferente, parecia feito de metal ou algo do tipo. Estava todo arrebentado. Cheguei mais perto para ver melhor. Subitamente algo se mexeu em meio aos destroços. Pulei pra trás. Do meio de tudo aquilo saiu um ser. Ele era lindo, com uma beleza diferente, sobrenatural, hipnotizante.
-Não! Não se assuste eu não vou fazer nada com você. Eu prometo.
-Quem é você? Ou melhor...o que é você?
-Meu nome é Stephen e eu vim do planeta Darius. Minha nave perdeu o controle e acabei entrando em órbita terrestre. Consegui fazer com que não fosse detectado pelos radares de seu planeta. Estava chovendo muito ontem à noite e fui atingido por um raio e cai aqui. Fiz com que tudo se apagasse para que ninguém me visse e hoje fiz a chuva passar pra poder concertar minha nave.
A voz dele era linda, melodiosa. Ele era lindo. Tinha olhos vermelhos sangue, que a principio me assustaram, mas depois me seduziram. Seus cabelos eram negros como a noite e espetados como se tivesse levado um choque. Sua pele era bronzeada, parecia dourada como ouro e...ele brilhava. Ah é! Notei que ele tinha uma tatuagem na testa, em forma de lua crescente...
-Você não vai me entregar né?
Aquela linda voz me trouxe de volta me arrancando dos meus pensamentos.
-O que? Ah! Claro que não.
-Eu preciso ficar aqui até concertar minha nave, caso contrário, não posso voltar pra casa.
-Tudo bem. Se esconda nesse quartinho e não saia por nada. Ai tem umas ferramentas que você pode usar se quiser. Meu pai quase nunca vem aqui, então você estará seguro. Agora preciso ir antes que meus pais acordem.
Me virei e estava voltando pra casa quando ouvi ele dizer:
-Obrigado,
Não conseguir conter o sorriso que se formou em meus lábios. Não disser nada, nem me virei. Fui pra casa como se nada tivesse acontecido.
Os dias passaram e ele trabalhava sem parar para reconstruir sua nave. Todo dia eu arrumava uma desculpa para ir ao quintal e ficava lá com ele, ou olhava pela janela seu trabalho. Sei lá, eu sentia a necessidade de estar com ele. Me fazia bem.
Ele era diferente, eu sei, mas ele era tão lindo que era impossível sentir medo dele, ainda mais ele sendo tão bondoso e me ajudando sempre com tudo. Eu já estava me acostumando com a presença dele, quando...
-Minha nave está pronta. Eu já posso ir embora.
- O que?
Não sei por que, mas aquilo de repente me deixou triste. Eu não poderia deixar ele ir. Eu não queria o ver partir. Não pensei duas vezes e comecei a falar:
-Você não pode ir, O que será de mim sem você? Todo esse tempo juntos e você sempre me ajudando eu pude perceber uma coisa. Eu não sei viver sem ti. Eu preciso de você comigo. Eu não quero te perder meu amor. Eu te amo.
Ele sorrio, mas era um sorriso diferente de qualquer um que eu já tinha visto. Era meio metido, meio surpreso, meio apaixonado...
-Eu também te amo.
Aquilo ecoou por dentro de mim. Parecia impossível aquilo ser verdade.
Como que por impulso, me aproximei dele e o beijei.
Parecia que estava flutuando e juro que ao fundo escutei uma música linda tocar. Era minha música favorita. Eu poderia ficar ali pra sempre. Eu não sentia o tempo passar. Foi quando ouvi um barulho.
O encanto parecia ter acabado. Aquele som seco acabou com toda a magia.
Abri meus olhos e vi meu amor. Existia dor em seu olhar. De seu peito jorrava sangue. Um sangue puro, limpo e inocente. Olhei para o lado e vi um policial com uma arma na mão apontada para Stephen. Atrás dele, estavam meus pais.
Ele se preparou para atirar novamente e o matar de vez. Não pensei, apenas agi com o que meu coração dizia. Pulei na frente, deixando a bala atingir meu abdômen. Ouvi meu pai gritar e minha mãe começar a chorar. Não valia a pena viver sem meu amor. Me passou toda a minha vida diante de meus olhos, todas as lembranças.
Cai no chão ao lado dele.
Ele me olhava de um jeito doce. Ouvi ele dizer:
-Eu te amo meu amor.
-Eu te amo mais ainda.
Ele sorriu novamente. Fechou os olhos e nunca mais abriu. Ele tinha partido.
Era a minha vez. Peguei a mão dele e fechei meus olhos, sorrindo também, com uma certeza. Um dia, eu ainda iria encontrar meu amor novamente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário